Poderosos e o poder, a rede, e a impunidade

 Por: Fujiro Nakombi



O caso que deixou boquiaberto o mundo não é apenas "mais um caso" de algum poderoso bilionário como qualquer outro, desses que diariamente conquistam através do poder o que bem querem e tudo passa despercebido, ou se esquece conforme passam os dias... bem, pelo menos este caso, não podemos deixar esquecer.

O caso Jeffrey Epstein não é apenas sobre um criminoso. É sobre como dinheiro, influência e silêncio podem blindar abusos por décadas, é sobre como uma rede funciona: sempre há alguém recrutando, organizando e... encobrindo! Nesse caso, esse papel coube a Ghislaine Maxwell, uma socialite britânica que outrora foi símbolo de status e glamour, acabou condenada a 20 anos por crimes de tráfico sexual de menores.



Mesmo sem ter concluído o curso universitário, Jeffrey Epstein lecionava física em uma escola para alunos de alta renda, assim, foi ganhando certa influência com alunos e familiares desses, muitos deles empresários notáveis, quando se apresentou como financista entrando para esse ramo. Cuidando do dinheiro de milionários, construiu uma fortuna estimada em US$ 600 milhões, o que o permitiu figurar no rol dos poderosos e ter acesso a luxos como: Ilhas privadas, mansões em Manhattan, Palm Beach e Novo México, jatos, contatos com presidentes, príncipes e bilionários. Mas o que ele realmente "comercializava" a esses poderosos, não era apenas a gestão de bens, mas sim acesso a mulheres menores de idade.

Segundo as investigações, as mansões e as ilhas, sendo a principal delas a famosa Little Saint James localizada no Caribe, serviam como cenário isolado para crimes. O modelo era simples e perverso: poder + isolamento + dinheiro para comprar silêncio dos poderosos, com isso, enriquecia mais e crescia seu império mantendo o desgraçado negócio que conduzia.


Ghislaine Maxwell era a peça-chave dessa engrenagem. Filha de magnata, socialite, ela foi apontada pela Justiça americana como a recrutadora principal no esquema, pois era quem abordava as vítimas, criava confiança, e depois as entregava para Epstein, dizendo a elas que as apresentariam a Epstein, passando a impressão que as estavam colocando perante o homem de sucesso que alavancaria suas vidas. Em 2021 ela foi condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores e outros crimes, e desde então, se encontra tentando reduzir sua pena ou até mesmo ficar livre dela.


Sem Maxwell, é improvável que a operação tivesse durado tanto tempo. Ela dava ao esquema uma fachada de normalidade e "amizade". As jovens, acreditando em uma socialite de família nobre, confiavam a ela sua confiança com o desejo de trilhar o caminho do sucesso, mas seguiam rumo a um despenhadeiro, caindo na imunda camada de Jeffrey Epstein. Para sair daquela dimensão, já era muito difícil.



O mais grave do caso Epstein não é só o crime em si, é o ecossistema que permitiu que ele acontecesse. Por 20 anos ele teve acordos judiciais questionáveis, como o de 2008 na Flórida, teve visitas na prisão, advogados caros, e teve uma lista enorme de gente poderosa que frequentava suas casas, andava em seu avião e aparecia em sua agenda. Os "Epstein Files", os famosos Arquivos Epstein, com mais de 3 milhões de páginas divulgadas recentemente, escancararam tudo isso e chocaram a todos. E-mails, registros de voo e correspondências... provas concretas da rede montada que sustentava o esquema do financista que abastecia poderosos com realizações de seus desejos infames. Aparecer nomes não prova crime, mas prova proximidade, e revela que muita gente sabia quem ele era e escolheu olhar para o outro lado.

É aí que reacende o sentimento público de impunidade. Uma pesquisa recente nos EUA mostrou que aproximadamente 70% dos americanos acreditam que os arquivos mostram que "pessoas poderosas raramente são responsabilizadas".
Epstein morreu na prisão em 2019, antes do julgamento. Muitos acreditam que a causa da morte foi suicídio, outros que ele tenha sido assassinado dentro da cela, e outros, reforçando as teorias da conspiração, acreditam que Jeffrey Epstein não morreu, mas está em oculto e bem protegido pelos poderosos que outrora "serviu". O fato é que com a publicada morte dele, a chance de um processo completo contra todos os envolvidos foi praticamente enterrada.
Restou Maxwell! Restaram os processos civis das vítimas e as investigações que surgiram depois da divulgação dos arquivos em 2026.



O caso Epstein-Maxwell escancara algumas verdades incômodas:
Dinheiro compra acesso, mas não compra caráter! Isolamento e sigilo são ferramentas de abusadores, então desconfie! E que democracia só funciona se a lei for igual para bilionário e para faxineiro, o que, eu e você, caro amigo do Recreio, sabemos que nos dias atuais isso nada mais é do que uma utopia.
Prender Maxwell foi necessário, mas foi algo natural. Divulgar os arquivos com certeza também foi necessário para que o mundo saiba as barbaridades que ocorrem e que isso reforce investigações e sirva de exemplo aos "ocultos" que ainda não foram descobertos. Mas apenas isso, não basta! É necessário cobrança perseverante para que as instituições continuem a investigar até o fim todos os nomes citados e que não parem na "ponta" do problema. Pois aí sim, mesmo depois de morto, Epstein será vencido! Porque o objetivo dele sempre foi mostrar que com poder e dinheiro, tudo é possível. E a nós, pessoas de bem, trabalhadoras, cabe provar que não.