O terceiro álbum de Adele, 25, há anos é parte inseparável da minha rotina — um verdadeiro diário sonoro. Já não sei mais dizer se ele se moldou a mim ou se fui eu que me curvei à força do devir que ele expressa. O certo é que, mesmo após quase dez anos desde seu lançamento, cada faixa ainda ressoa com a mesma densidade da primeira escuta.
Hello continua sendo um início incontornável. Surge envolta em névoa, firme, mantendo a voz baixa. Não tenta retornar a nada, apenas aponta para o que ficou suspenso. Seu «hello, it’s me» ainda provoca o mesmo formigamento sutil.
Na primeira vez que ouvi Send My Love, houve estranhamento. Parecia leve demais, sua aura dançante destoava do restante. Com o tempo, compreendi seu desígnio de seguir em frente, fechar a porta com a luz acesa. Hoje admiro essa despedida suave, que não deixa cicatrizes nem pesos.
I Miss You altera o ar. A atmosfera se torna densa, quase palpável — uma força que vai além das palavras. Sua intro vibra em tom grave, crescendo internamente, marcada pelo espaço entre cada nota. Altamente recomendável dar mais atenção à melodia do que à letra.
Remedy é abrigo. Protege com constância. Está presente, sólido, acolhedor. Um afeto que se impõe com permanência incondicional. Nessa redoma afável repousa uma paz que não se explica... só se sente.
When We Were Young sempre foi minha favorita no álbum. Transmite serenidade e gratidão. Fala menos do que se perdeu e mais do que foi vivido e ainda subsiste. É olhar para o passado como num espelho e reconhecer, no presente, versões antigas de mim que ainda me habitam.
Water Under the Bridge pulsa como uma tensão prestes a se libertar. A indiferença é recusada, pois a dor da dúvida supera o peso da escolha. Há um anseio por clareza, um ritmo urgente que exige uma resposta imediata: enfrentar ou abandonar?
River Lea sussurra origens, carregando um tom mítico. Adele canta sobre raízes, marcas que o tempo não apaga. Sua mensagem transcende relacionamento, revelando o que o lugar imprime em quem parte, deixando vestígios que, mesmo à distância, nunca se desfazem por completo.
Love in the Dark... verdadeira em demasia. Um lamento de saber que ainda há sentimento, mas não o bastante — ou não no tempo certo. Então, vem a calmaria... A honestidade cortante... A despedida que não deseja ser, mas se impõe.
Sobre Million Years Ago, certa vez ouvi dizer que possuía a intimidade de uma carta escrita à mão. Desde então, não encontrei descrição melhor. Evoca um tempo perdido, sem pressa. É uma música sobre crescer, deixando coisas pelo caminho, com o peso silencioso do que já se foi.
All I Ask é, facilmente, a mais confessional do álbum. Não há súplicas para reatar, nem acusações. Resta somente o desejo de que o último momento juntos seja vivido com plenitude, como uma memória bonita a ser guardada antes do fechar da cortina.
Por fim, Sweetest Devotion... sempre foi doce. Agora, grávida, essa doçura ganha forma. Adele cantava para um filho já presente, enquanto ouço com um corpo que abriga, que aguarda. Para ela, era realidade; para mim, promessa. A canção encerra o álbum, mas em mim, marca o início de um amor que já se anuncia na quietude da espera.
O álbum 25 é uma travessia. Suas faixas fluem como uma correnteza que conhece o próprio destino. Falam de perdas que ainda ecoam, de memórias que insistem em permanecer, e de uma vontade genuína de seguir adiante — mesmo carregando a saudade do que fomos e a consciência do que já não somos. Talvez por isso emocione: porque crescer, perder, rememorar e continuar ainda me acontecem. E assim sigo, tentando dar forma ao que, dia após dia, se transforma.
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Destaques Mercadológicos
Além da imersão emocional de cada canção e da sofisticação de sua produção, o álbum também se destaca pelos resultados comerciais e recordes alcançados. A seguir, apresento os principais números que evidenciam o alcance impressionante de 25 na última década:
- Na semana de estreia, 25 vendeu mais de 3.38 milhões de cópias nos Estados Unidos, superando o recorde anterior de No Strings Attached, da boyband NSync.
- Foi o álbum mais vendido de 2015 nos Estados Unidos, com 17.4 milhões de cópias, alcançando mais de 23.3 milhões em vendas globais.
- Recebeu certificação Diamante pela RIAA, tornando Adele a única artista da década de 2010 a conquistar esse marco com dois álbuns consecutivos (21 e 25).
- No Reino Unido, 25 quebrou recordes ao vender mais de 800 mil cópias na primeira semana, estreou em primeiro lugar em 32 países e alcançou certificação de platina tripla na Austrália.
- O single Hello foi a primeira música a vender mais de um milhão de downloads em uma semana, quase dobrando o recorde anterior.
- Mesmo somando todas as vendas dos álbuns da Billboard do número 2 ao 100, elas não superariam as de 25.
- Em apenas sete dias, 25 vendeu mais do que 1989, de Taylor Swift, conseguiu vender em um ano inteiro.
- Com esse sucesso, Adele ultrapassou o recorde de Britney Spears, conquistando o título de maior número de vendas na primeira semana por uma artista feminina — recorde que Oops…I Did It Again manteve por 15 anos.
- Registrou a maior semana de vendas da história da Nielsen Music, que começou a monitorar os números de ponto de venda em 1991.
- Na primeira semana, cada minuto totalizou a venda de 335 cópias.
- O álbum também recebeu os principais prêmios da indústria musical, incluindo o Brit Award de Álbum Britânico do Ano (2016) e o Grammy de Álbum do Ano (2017).
- A turnê Adele Live 2016-17, que promoveu 25, arrecadou cerca de 278.4 milhões de dólares, quebrando diversos recordes de público.
- Com o estrondoso sucesso de 25, Adele consolidou-se como uma das maiores artistas da música contemporânea, com um alcance que ultrapassa barreiras geracionais.
Referência
- 16 fatos sobre o álbum '25' que vão surpreender você
https://www.eonline.com/news/719839/16-facts-about-adele-s-25-that-will-blow-your-mind
