Todo dia, toda hora, era dia de índio!


Por: Leonardo

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Todo dia, toda hora, era dia de índio!






Tivemos um triste episódio neste sábado dia 07. Dois índios da etnia Guajajara morreram e outros dois ficaram feridos em uma emboscada feita por inimigos de suas terras. As informações são da Polícia Civil e foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão.

Antes do ataque, eu estava ouvindo músicas de Jorge Ben Jor e uma das músicas me instigaram aos estudos sobre tribos e a vivência indígena antes da descoberta de Pindorama.

A música de Jorge Ben Jor não é uma homenagem ao povo indígena. É mais do que isso. O Jorge Ben Jor toma para si os tristes regojizos daqueles que foram trucidados, que perderam suas terras, suas vidas, para o colonizador português. A música demonstra a ironia com que o “homem branco” comemora o d\ia do índio. Porque antes da sua chegada “todo dia, toda hora, era dia de índio”.


A letra para vocês conferirem:

Curumim Chama Cunhantã Que Eu Vou Contar (Todo Dia Era Dia De Índio)

- Jorge Ben Jor


Jês, Kariris, Karajás, Tukanos, Caraíbas
Makus, Nambikwaras, Tupis, Bororós
Guaranis, Kaiowa, Ñandeva, YemiKruia
Yanomá, Waurá, Kamayurá, Iawalapiti, Suyá
Txikão, Txu-Karramãe, Xokren, Xikrin, Krahô
Ramkokamenkrá, Suyá

Hey! Hey! Hey!
Hey! Hey! Hey!

Curumim chama cunhatã que eu vou contar
Cunhatã chama curumim que eu vou contar
Curumim, cunhatã
Cunhatã, curumim

Antes que os homens aqui pisassem
Nas ricas e férteis terras brazilis
Que eram povoadas e amadas por milhões de índios
Reais donos felizes
Da terra do pau-brasil
Pois todo dia, toda hora, era dia de índio
Pois todo dia, toda hora, era dia de índio

Mas agora eles só têm um dia
O dia dezenove de abril
Mas agora eles só têm um dia
O dia dezenove de abril

Amantes da pureza e da natureza
Eles são de verdade incapazes
De maltratarem as fêmeas
Ou de poluir o rio, o céu e o mar
Protegendo o equilíbrio ecológico
Da terra, fauna e flora
Pois na sua história, o índio
É o exemplo mais puro
Mais perfeito, mais belo
Junto da harmonia da fraternidade
E da alegria

Da alegria de viver
Da alegria de amar
Mas no entanto agora
O seu canto de guerra
É um choro de uma raça inocente
Que já foi muito contente
Pois antigamente

Todo dia, toda hora, era dia de índio
Todo dia, toda hora, era dia de índio

Hey! Hey! Hey!

Jês, Kariris, Karajás, Tukanos, Caraíbas
Makus, Nambikwaras, Tupis, Bororós
Guaranis, Kaiowa, Ñandeva, YemiKruia
Yanomá, Waurá, Kamayurá, Iawalapiti, Suyá
Txikão, Txu-Karramãe, Xokren, Xikrin, Krahô
Ramkokamenkrá, Suyá

Todo dia, toda hora, era dia de índio
Todo dia, toda hora, era dia de índio

Hey! Hey! Hey!
Curumim, cunhatã
Hey! Hey! Hey!
Cunhatã, curumim
Hey! Hey! Hey!
Curumim, cunhatã
Hey! Hey! Hey!
Cunhatã, curumim





Algumas das grandes tribos indígenas brasileiras foram citadas na música, como os:



Karajás

Os carajás, também chamados karajás, são um grupo indígena que habita a região dos rios Araguaia e Javaés, nos estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará.



Bororos

Os bororos são um povo indígena que habita o estado do Mato Grosso.



Tupis


O termo Tupi remete aos índios que habitam(vam) a região da atual cidade de São Vicente, na mesma época em que os colonizadores chegaram ao Brasil.

E falando sobre os Tupi Guarani, quero contar sobre como os índios brazilis tinham interconexões até mesmo com os Incas peruanos antes mesmo dos colonizadores chegarem à cá. Segue o fio:

Se hoje os meios de comunicação são capazes de nos conectar com culturas e povos tão longínquos, há alguns séculos, quando a América do Sul ainda não tinha esse nome, antes dos navegadores europeus pisarem no solo de cá, a população nativa já se conectava desde os Andes até o Oceano Atlântico, através de uma trilha. Trata-se do Caminho de Peabiru, uma trilha enorme que conectava o litoral de São Paulo até os Andes peruano. Era nessa trilha que se realizava uma verdadeira rota "comercial" de escambos e até uma espécie de correio entre principalmente os povos Guarani e os Incas do Peru.





Trecho ainda existe.

O trecho percorria do território do Peru até a atual cidade de Florianópolis, no estado de Santa Catarina.




No ano de 1524, o português Aleixo Garcia comandou uma expedição com centenas de navios com a finalidade de encontrar ouro e prata no Império Inca. Reza a lenda que esse foi o primeiro bandeirante brasileiro. Após alguns meses de viagens em barcos, ele teria encontrado os Incas e seus respectivos metais preciosos, mas acabaram atacados e mortos pelos Paiaguás, grupo nativo que habitava o alto do Rio Paraguai. Foi com essa incansável e destemida (ironia) procura por essa “Serra da Prata” Inca que batizou o Rio da Prata com o nome que permanece até hoje.




Imagem que se têm de Aleixo Garcia.


No dias de hoje restam somente alguns trechos daa trilhas, que tinham, por essas pesquisas, 1,4 m de largura. Um trecho de 30 quilômetros da trilha foi encontrado nos anos 70, nos quais foram identificados sítios arqueológicos com vestígios de nativos, além de escritos rupestres (artes e escritos Incas em tribos brasileiras), símbolos astronômicos e até mesmo mapas que descreviam o caminho a ser percorrido de ida e volta. A trilha que um dia conectou o sul ao nordeste e norte do Brasil, permitiu a troca de produtos como sal (por parte das tribos do litoral) feijão e milho (das tribos do sertão) e objetos de cobre, bronze, prata e ouro (por parte dos Incas peruanos).