Por: Pauloncé
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A desigualdade racial no Brasil é uma das piores coisas que os negros têm que enfrentar e uma das formas que ela se manifesta é na invisibilidade nos espaços midiáticos. Isso inclui a publicidade, cinema e principalmente a TV. Assuntos como a representatividade são temas recorrentes de vários ativistas da militância negra, principalmente entre influenciadores digitais no YouTube e Instagram.
Basta notarmos que no país que tem maioria negra (pretos e pardos), os negros estão pouquíssimos representados em campanhas publicitárias. Fique 15 minutos no mínimo assistindo TV pra confirmar isso. Parece que margarina e creme dental, entre tantos outros produtos só são consumidos por pessoas brancas.
Na TV a coisa fica ainda mais CLARA, a maior parte das novelas e séries tem como protagonistas pessoas brancas, e são elas que possuem sempre as maiores oportunidades e os melhores papéis. Apenas pra citar como exemplo vejamos dois casos de duas ex-BBB que viraram atrizes: Juliana Alves e Grazi Massafera.
Ambas as atrizes são super talentosas, quem acompanha o trabalho delas sabe bem disso. Mas enquanto Juliana ao longo da carreira teve papeis secundários, Grazi foi alçada como grande atriz, recebendo personagens de grande destaque nas novelas, tanto que um dos papeis lhe renderam uma indicação ao Emmy Awards.
A situação fica ainda pior quando em momentos em que se podia dar a oportunidade para os negros, esse direito lhe é negado. Exemplo disso é a novela Segundo Sol, da Rede Globo, que conta a história de um cantor de Axé e se passa na Bahia, estado com a maior população negra do país, mas que todos os protagonistas são brancos.
Na Rede Globo os negros possuem séries próprias, mais de que forma? Pesquisando o histórico da emissora temos séries que colocam os negros sempre na figura do periférico, pobre, aquele que precisa vencer na vida, que sofre as mais diferentes mazelas e o pior de tudo é quando são colocados sempre em temáticas que abordam a violência policial e o tráfico de drogas. A Globo faz questão de evidenciar isso em séries como: Cidade dos Homens, Antônia, Suburbia, Sexo & as Negas, Carcereiros e Anjo Renegado.
A situação pode e deve mudar, isso vai acontecer quando as empresas passarem a enxergar que todos consomem seus produtos e portanto todos devem ser representados em suas campanhas. No caso da teledramaturgia, eu sou contra que qualquer emissora interfira nas escolhas de elenco dos autores, colocando negros por imposição. O certo a se fazer é contratar autores e diretores negros para que eles mesmos possam incluir aqueles que são preteridos. A exemplo do Jordan Peele, diretor de cinema, que disse que pretende incluir somente negros como protagonistas em seus filmes.
Como disse a atriz Viola Davis em seu discurso no Emmy Awards, após ser a primeira negra a receber o prêmio de melhor atriz: "A única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não pode vencer um Emmy por papéis que simplesmente não existem." Essa fala embora tenha sido aplicada as mulheres, também pode ser estendida aos homens.
