Por: Ricardo
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Recentemente muita coisa mudou em relação ao formato de entrevistas, principalmente após a pandemia de COVID-19.
Além das entrevistas tradicionais feitas em jornais ou revistas, as entrevistas televisionadas foram se consolidando com um formato próprio. No Brasil, há diferentes formatos de programas dependendo do apresentador. O popular "Jô Soares Onze e Meia" no SBT, e posteriormente o "Programa do Jô" na Rede Globo tinham o padrão de fazer três entrevistas em um dia, geralmente de 20 minutos cada uma. Em ocasiões especiais, havia apenas um convidado, como foi o programa final de Jô Soares na Globo, entrevistando Roberto Carlos. As entrevistas de Jô Soares tinham em geral um grau cômico, pelo próprio entrevistador ser um humorista.
Esse modelo contrastava com Marília Gabriela. Em seus programas, desde os anos 80, Marília geralmente seguiu o modelo de um entrevistado por vez, num programa de uma hora de duração. Num tom investigativo, as entrevistas conseguiam explorar mais de cada convidado, por ser apenas um e com mais tempo disponível.
Um modelo que se consolidou muito bem foi o Roda Viva. Diferente dos dois modelos acima, o programa segue com um mediador e vários jornalistas ou personalidades convidadas que fazem perguntas a um convidado por vez. O tempo de cada entrevista também é maior que nos modelos anteriores, uma hora e meia de duração. Uma vantagem do formato é explorar as respostas do convidado de diferentes perspectivas.
Outros modelos de entrevistas que valem a pena serem mencionados: O provocações, com Antônio Abujamra. Um entrevistado por vez, não se limitava apenas ao que o convidado estava realizando no momento, e nem tanto com sua carreira ou trajetória de vida, mas sim com suas visões e pensamentos em relação a temas atemporais.
É interessante mencionar que algumas outras formas de entrevista também são comuns, como em programas de auditório, mas geralmente estão relacionadas à outras atrações e não possuem um foco direto com entrevistas. Alguns exemplos são os programas de sábado e domingo, em que artistas participam de alguma atividade do programa e geralmente são perguntados sobre seus trabalhos recentes.
No entanto, mais recentemente um modelo de entrevistas se tornou cada vez mais popular, os podcasts. Esse formato geralmente envolve um ou dois entrevistadores e um convidado. A entrevista segue suas pautas, mas é levada de forma mais informal. Diferente de muitos entrevistas da televisão, em que artistas iam participar para divulgar algum trabalho, como filme, novela ou peça de teatro, os podcasts não necessariamente ocorrem por essa maneira. A grande diferença se dá pelo tempo de entrevista.
Enquanto na televisão ou rádio, pela necessidade de intervalos de propaganda e outras atrações, o tempo de entrevista é muito limitado. No podcast, por ser feito em plataformas digitais, cria-se uma liberdade para a entrevista durar o tempo que for necessário ou que os participantes aguentem. Não é incomum uma entrevista em podcast passar de três horas de duração, com algumas passando das quatro horas, apesar do modelo mais comum ter duas horas.
Outra grande diferença é a profundidade das entrevistas, com maior tempo, é possível conhecer muito mais o convidado, sua vida, obra, feitos, opiniões, etc.
Com a pandemia de COVID-19 e as medidas de isolamento, entrevistas presenciais, que sempre foram o padrão, foram prejudicadas. Assim, entrevistas à distância se tornaram muito mais comuns e feitas mesmo na televisão. Em 2022, a grande maioria dos programas de entrevista já retornou ao formato presencial, com alguns ainda mantendo entrevistas à distância, como o Conversa com Bial.
Agora vem a discussão: Qual será o futuro dos formatos de entrevista existentes? É possível que haja um esgotamento do formato "entrevistas" em si? Será que sempre haverá espaço para todos? Se não, qual formato prevalecerá?
Caso queira deixar sua opinião ou visão, podemos colocar aqui no post.
OPINIÃO COMENTARISTAS:
Fofão: "Na minha opinião os podcasts estão em alta e vão prevalecer se sobressaindo, porque é um formato totalmente despretensioso, a liberdade de assuntos é bem maior também, boa parte das pessoas não veem mais TV para assistir esses programas de entrevistas em si, as que veem são as mais velhas que não gostam muito de fazer o uso da internet, esse formato antigo de entrevistas na televisão podem até existir mas jamais terá o mesmo alcance de antes."

