Se já não bastasse os comentaristas do Disqus perderem a vontade de trabalhar, agora até a Morte tá seguindo o mesmo exemplo.
Pra quem não sabe, Premonição é minha franquia de terror favorita, logo após Pânico. Então depois da minha felicidade com a franquia Pânico revivendo, chegou a hora de Premonição. E pra minha surpresa… tive uma decepção enorme com o decorrer da volta da trama. Então vamos lá. (SPOILERS)
Problemas com os personagens
O maior problema é que você simplesmente não se importa com ninguém da trama. E isso é bizarro, porque dessa vez a proposta era diferente: pela primeira vez na franquia temos uma família inteira lutando contra a Morte. Nos filmes anteriores eram amigos, colegas de escola ou completos desconhecidos, então era natural uma certa distância. Mas aqui, com laços de sangue envolvidos, era pra ter mais emoção, conexão, peso dramático. Só que nada disso acontece. A Stephanie, que é a visionária da vez, está longe de casa, não tem nenhuma conexão com a mãe, e muito menos com o irmão que ela abandonou. Não dá nem tempo de criar um vínculo entre eles e já estão correndo pra se salvar. É tudo apressado, raso e sem qualquer construção emocional. Uma falha enorme que prejudica toda a tensão do filme.
O livro que não serviu pra nada
A divulgação do filme foi toda vendida em cima da ideia de que Premonição 6 ia finalmente ligar todos os pontos soltos dos filmes anteriores. E que a Iris tinha guardado um livro com todas as mortes, pistas e formas de tentar lutar contra a Morte. Achei promissor? Achei. Só que o filme me enganou direitinho. O tal livro aparece no começo, é citado como se fosse o segredo que salvaria todos, e depois é literalmente esquecido em um churrasco.
O mínimo que esperávamos era ver mais conteúdo desse livro, com registros das mortes, acidentes que ficaram de fora dos filmes, anotações da Iris, teorias malucas... alguma coisa! Mas não: ele vira um item decorativo de roteiro e nunca é aproveitado. Puro desperdício.
Mortes mal elaboradas
Uma das marcas registradas de Premonição sempre foram as mortes criativas, tensas e de roer as unhas. Mas aqui… parece que esqueceram como se faz isso. As mortes em Premonição 6 são genéricas, rápidas e sem impacto.
Não tem construção de suspense, a nao ser a morte na ressonância magnética, não tem aquela sequência que te faz prender a respiração esperando o inevitável. A impressão que dá é que os roteiristas só queriam se livrar dos personagens o mais rápido possível.
E como esquecer da cena tosca da menina no caminhão do lixo? Foi, sem exagero, a pior morte da franquia inteira. Mal dirigida, mal construída, sem suspense nenhum. Do nada, ela tá lá correndo, uma bola a acerta, e *plau*, fim. Nenhuma tensão, nenhum contexto, nenhum peso. Parecia uma morte de figurante em filme B, não uma franquia que já nos deu cenas icônicas como a do elevador, ginásio ou da escada rolante.
Problema com a "visionária" do filme
Uma das coisas mais frustrantes em Premonição 6 foi a forma como trataram a "visionária" da vez. Pela primeira vez na franquia, temos uma visão do passado, o que por si só já era uma inovação. Mas aí vem o problema: a Stephanie, nossa protagonista, simplesmente não tem uma visão.
Ela até pressente algumas coisas, mas não tem aquela clássica cena intensa de premonição que abre todos os filmes da saga. Isso tira todo o impacto e o senso de urgência que a franquia sempre soube usar tão bem.
Na minha visão, o filme perdeu uma chance de ouro. Imagina se tivessem feito duas visões: uma no passado com a Iris e outra no presente com a Stephanie, mostrando todo mundo morrendo junto em um churrasco (ironicamente, o mesmo onde esqueceram o livro!). Seria o gancho perfeito pra ela agir e tentar salvar os familiares. Mas não… preferiram deixar a protagonista apática, sem visão, sem destaque, e jogaram no lixo uma oportunidade que poderia ter elevado o filme.
Não tem como falar de Premonição sem mencionar a cena de abertura, que sempre foi um dos pontos altos de cada filme. E aqui, além da abertura em si, faltaram os créditos iniciais, aquele clima macabro com imagens de raio-x, caveiras e pistas escondidas – uma tradição da franquia que foi simplesmente ignorada. Péssima decisão.
A cena da torre, em si, é bem dirigida e tensa, não vou mentir. É o acidente mais longo da franquia, com um senso de urgência constante. Mas, sinceramente? Ainda prefiro as aberturas mais curtas e diretas como as de Premonição 2 e 5. O famoso “menos é mais” se aplica perfeitamente aqui.
E tem mais: como ninguém se importa com os personagens da premonição da Iris, você assiste tudo meio indiferente, como se estivesse vendo NPCs se chocando com objetos aleatórios. Cair da torre, ser esmagado por um piano, tanto faz. O impacto emocional é nulo, porque o roteiro não deu tempo de você se importar com ninguém.
Um ponto positivo
No meio do caos, da decepção e das oportunidades jogadas no lixo, teve um único ponto que me arrancou um sorrisinho de canto de boca: descobrimos que o menino que a Iris salva na visão do passado é ninguém menos que o nosso icônico William Bludworth. Sim, aquele atendente de funerária misterioso que aparece em todos os filmes com a energia de quem sabe mais do que fala.
Essa revelação dá uma camada a mais pro personagem, explicando talvez por que ele sabe tanto sobre a Morte e o padrão das premonições. Ele foi salvo de uma delas, e cresceu com esse trauma, talvez até desenvolvendo a obsessão em entender como a Morte age. É sutil, não é super explorado, mas é o tipo de detalhe que fãs da franquia reconhecem e valorizam.
Se tivessem seguido nessa linha, conectando mais os filmes antigos com esse passado e dando mais destaque a essas pontas soltas, o filme teria muito mais força.
Final do filme horripilante
O desfecho de Premonição 6 foi a tentativa mais forçada de recriar um “plot twist” ao estilo do segundo filme — e falhou miseravelmente.
Eles tentam repetir a ideia de que, se o coração da visionária parar e ela for trazida de volta à vida, a Morte é enganada. Em Premonição 2 isso funcionou e foi bem construído, com suspense, sacrifício e emocional. Aqui? Só frustração.
No final, descobrimos que o coração da Stefani nunca chegou a parar de verdade, ou seja, não enganaram a Morte porcaria nenhuma. E pra completar, ela e o irmão morrem esmagados por uma torre de madeira. Uma morte que não só foi mal construída, como ainda copia descaradamente o destino do policial no final de Premonição 2, só que sem o peso, sem o choque e sem o impacto.
Um final sem emoção, sem reviravolta real, e que deixa aquele gostinho de: era isso?
Péssimo desfecho pra um filme que já veio descendo ladeira abaixo desde o começo.
Por fim… meu ranking final da franquia ficou assim:
1. Premonição 3
2. Premonição 1
3. Premonição 5
4. Premonição 2
5. Premonição 6
6. Premonição 4 (essa nunca deixará o fundo do poço)
Premonição 6 prometeu muito e entregou pouco. Como fã de longa data, saio decepcionado e com a sensação de que a franquia perdeu a essência.
Tomara que se tiver um próximo, eles lembrem do que fez a saga ser tão marcante: personagens que a gente se importa, mortes bem construídas e tensão de verdade.
Porque esse aqui… foi só uma sombra do que já foi.
Nota 6/10
BÔNUS:
Erik, o melhor personagem do filme
Em meio a um monte de gente esquecível, Erik se destacou como o único personagem que realmente teve desenvolvimento. Ele se importava com a família, demonstrava empatia, tomava iniciativa, e mesmo após descobrir que não era filho biológico do pai, continuou tentando manter todos unidos — especialmente o irmão.
Foi o único que conseguiu gerar algum tipo de conexão com o público, mesmo com o roteiro apressado. E, ironicamente (ou poeticamente), acabou sendo o responsável pela melhor morte do filme. A única cena que entregou um pouco da tensão clássica da franquia.









