Na última eleição, o Recreio opinou sobre a eleição e o seu voto. Cada comentarista pôde dar os motivos de seu voto, e também caso quisesse, um palpite de qual seria o resultado final da apuração.
Neste ano, por tradição, também temos esse post. Você pode enviar a sua opinião e/ou palpite aqui nos comentários do post ou em outro post marcando @menineh no Disqus.
Votos dos Comentaristas
Douglas
Voto
No primeiro turno, deixei claro minha rejeição a todas as candidaturas à presidência postas na mesa — inclusive (e eu diria que principalmente, pelo menos considerando as primeiras colocações) as dos dois candidatos que passaram para o segundo turno. Por isso, anulei meu voto. Meu desejo, considerando esse cenário, era repetir esse voto no segundo turno. As circunstâncias eleitorais resultantes do primeiro, no entanto, não me permitem fazer isso — embora eu entenda e respeite quem o faz.
Entre essas circunstâncias, a de maior peso é a futura composição do Senado Federal, que deverá ser dominado por pessoas que fazem da política um grande show de horrores, que estão mais preocupados em vigiar quem entra ou não em banheiro, com quem uma pessoa pode ou não se casar e, pasmem, até mesmo com o voto feminino. Sem contar a provável composição futura do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá dar o aval para as medidas mais nefastas que porventura possam partir de um eventual governo de Flávio Bolsonaro e de seus aliados no Congresso Federal.
Esse nível de poder nas mãos de um grupo político que, como bem sabemos, já planejou dar um Golpe de Estado no país após a derrota nas urnas — e só não o fez graças a dois dos comandantes do Exército Federal — pode ser bem prejudicial e arriscado para a nossa democracia. Já assistimos bem na história como democracias modernas podem morrer ou definhar sem que haja derramamento de sangue, apenas obtendo o controle das instituições e mudando suas regras por dentro. Sim, a democracia não é um sistema perfeito e tem os seus paradoxos. Resta a nós observá-los e agir para que eles não se repitam.
Não gosto de Lula. Quem me conhece sabe bem disso. Minha transição de alguém de extrema direita para alguém mais ao centro me fez ver com outros olhos historicamente medidas de seus governos que efetivamente ajudaram os brasileiros mais necessitados. Mas nenhuma delas apaga o histórico de corrupção de seus governos, o histórico criminoso de ataques a adversários democráticos em campanhas eleitorais (sim, isso não começou com o bolsonarismo), nem o populismo, o gasto desenfreado do dinheiro público na tentativa de se perpetuar no poder e a falta de responsabilidade fiscal. Fora o seu governo atual, que foi eleito com um discurso de união e frente ampla da centro-direita à esquerda, mas que durou apenas no ano eleitoral.
Dito isso, como supracitado, ao vencer o governo Lula agora se verá forçado a se voltar ao centro. Flávios Dinos e Gleises Hoffmans no STF? Nem pensar. Políticas fiscais negacionistas e populistas? Necessitará do aval do Congresso bolsonarista. Embora seja frustrante ter em seu país um governo com dificuldades para governar, ainda vejo como menos pior que ter um grupo extremista no poder com aval para combater as maiores atrocidades possíveis sem qualquer contraponto — um cenário bem diferente do que tivemos no governo de seu pai, Bolsonaro, que precisava atender aos anseios de outro grupo político para governar.
Embora eu considere justificáveis, pode ser que meus medos não se concretizem. Pode ser que Flávio faça mesmo um governo moderado (como vem propondo, inclusive com aceno a grupos como os LGBTs). Mas também pode ser que sim. Pode ser que viremos uma Hungria em quatro anos, com direitos básicos de minorias sendo removidos sem qualquer pudor. Pode ser que tenhamos entre os quadros ministeriais do país figuras abjetas como Pablo Marçal ou Eduardo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos para fazer lobby político contra seu próprio país.
Não sou eu que pagará para ver qual desses dois cenários se concretizará. Por isso, amanhã é 13.
Palpite
Eu não pagarei pra ver o que acontecerá num governo Bolsonaro. Porém (e espero muito estar errado), com base nas pesquisas e no resultado do primeiro turno, acredito que a maior parte dos eleitores irá pelo caminho oposto:
Flávio Bolsonaro 51,8% vs 48,2% Lula
O curioso é que provavelmente não veremos ninguém reclamando da confiabilidade das urnas ou fazendo motim rezando para pneu caso esse resultado se concretize.
A conferir.
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BRUNO
Minha análise do motivo da possível derrota do Lula: nesse mandato tivemos muitos programas sociais e benefícios, mas isso acabou se restringindo muito aos seus já fiéis eleitores, que votam nele justamente esperando isso. Do outro lado, pra população comum que não recebe esses benefícios assistenciais, a conta no supermercado continua alta, a inflação encolhendo cada vez mais a cesta básica e a violência não baixa. Resumindo, Lula governou pra sua base fiel de eleitores e esqueceu de quem realmente mais importa, os eleitores que flutuam de candidato, de acordo com suas expectativas e frustrações. Cito como uma das maiores "traições" com esse público a taxa das blusinhas.
Palpite:
Flávio 53% x Lula 47%
