Pra Quem Você Tira o Chapéu? - Pedro



Saudações Hímeros!

Hoje teremos um convidado ilustre. Militante de causas negras, LGBT e ambientais, ele frequentou sites sobre TV e hoje é comentarista do Recreio. Um dos comentaristas mais fofos e queridos do site, Pedro vai dar sua opinião sobre algumas figuras e assuntos polêmicos, venha conferir!



Kanye West


Não tiro o chapéu para o Kanye West, por diversos posicionamentos e ações que eu não concordo e que me soam um tanto fanáticas e obsessivos.

Kanye se esforça muito pra expor seu apoio pelo Donald Trump, usando roupas e bordões - como o Make American Great Again - de apoio ao mesmo.

Muito me impressiona ver ele demonstrando tanto apoio a alguém que da voz a supremacia branca, um movimento que mesmo não se expondo as mídias, tem uma enorme força por lá; a própria eleição do Trump e o apoio que ele teve durante as eleições só reforça isso.

Quando Kanye deixar a entender, em uma de suas falas, que a escravidão só durou muito tempo por escolha dos escravizados, eu fico me perguntando em que estudos, livros, matérias ou ideias ele se baseia para fundamentar uma afirmação tão deturpada.

Outro fato que não me permite tirar o chapéu para ele é o episódio com Taylor Swift, na premiação de 2009. Foi de muita falta de sensibilidade expô-la ao ridículo daquela maneira. Ele poderia ter revertido a situação, poderia ter assumido que foi uma atitude errada  e tentado se desculpar com ela. Porém, em uma música posterior, ela a chama de "vadia", e tempos depois, coloca ela e outras celebridades - como o Trump - na capa de um single, pelados.

Ao que parece, ele não sabe lidar facilmente com problemas pessoais internos e externos, além de uma falta de reflexão tremenda.



#BlackLivesMatter


Para o movimento #BlackLivesMatter eu tiro o chapéu sem pensar duas vezes e espero que ele ainda dure muito.

A morte George Floyd foi de forma brutal. Foram longos minutos de asfixia por um policial branco, além dos outros policiais que poderiam ter intervindo mas não fizeram nada. Isso gerou uma onda de indignação e despertou um ódio que vem sendo alimentado por várias décadas pelos sucessivos atos de racismo, segregação e violência contra os negros, se espalhando como pólvora pelos Estados Unidos. É muito fácil compreender como as coisas chegaram a esse ponto, basta pegar um livro história ou fazer pesquisas sobre o assunto.

Os Estados Unidos é um país historicamente racista e mesmo que pareça distante, a luta por igualdade racial por lá ainda é muito recente. Um país onde houve guerra para que a escravidão fosse abolida, onde a segregação era legalizada - até o início da segunda metade do século XX - culminando no movimento de igualdade de direitos, entre negros e brancos, de Martin Luther King. E mesmo com tudo isso, os Estados Unidos continuam sendo um país racista, onde movimentos de supremacia branca tem bastante força, ainda que nas entrelinhas.

Entretanto, tais atos não se restringem aos Estados Unidos. A escravidão é uma das maiores brutalidades cometidas pelas grandes potências do passado. No Brasil, por exemplo, a escravidão no Brasil durou séculos, sendo abolida por pressão política. Depois disso, a população ex-escrava foi deixada a própria sorte, ficando a margem da sociedade. Enquanto isso, o governo se empenhavam em criar projetos para branquear o Brasil, sendo o incentivo a imigração europeia a mais clara exposição desse desejo.

Hoje, no Brasil, a maior parte da população pobre é negra, a maior parte da população carcerária é negra, a maior parte da população nas favelas é negra... e a maior parte da população morta por policias, também é negra...

Meu objetivo com esse breve resumo histórico é esboçar o porquê que eu entendo, compreendo e apoio esse movimento. Aliás, ele ainda tardou muito pra acontecer. Ele está se expandindo e ganhando cada vez mais força.

Na França, assim como nos Estados Unidos, as manifestações estão ocorrendo todo dia. Vários artistas e veículos de comunicação estão apoiando o movimento. E eu desejo, que ele ainda dê muita dor de cabeça a laranja americana, vulgo, Donald Trump.

Espero ainda, que sirva para os governos tomarem posicionamentos antirracismo, e principalmente, que as pessoas se conscientizem sobre seus votos, pois votar em alguém que defende supremacia branca, como o Trump, é dar voz a quem acredita na supremacia branca.



Wilson Witzel


Mesmo eu tento gostado da postura com que ele vem gerenciando a crise do Covid-19 no Rio de Janeiro, eu não tiro o chapéu para o Wilson Witzel.

A campanha dele foi totalmente alinhada a de Bolsonaro, por quem tenho grande desprezo. Porém, mais que isso, Witzel vem a tempos defendendo a violência policial em favelas, com uma campanha desumana de derramamento de sangue, chegando a defender a jogada de mísseis nas favelas.

É muito triste ver que um governo se preocupa mais em promover o derramamento de sangue, do que enxergar os diversos problemas sociais que geram as milícias e as redes de tráfico.

Se a situação nos morros e favelas estão assim, é porque o governo vendou seus olhos para os problemas sociais existentes nelas, e parece relutar em querer enxergá-los.

Gostaria de lembrar, que foi durante o governo Witzel, que militares alvejaram com 80 tiros o carro de uma família, com eles dentro. Foi também, durante o governo Witzel, que Ágata e João Pedro foram mortos em operações da polícia...

Além disso, ao que parece, a corrupção no governo Witzel já está aparecendo.



Edward Snowden


Eu sempre gostei de assistir jornais e lembro da enorme repercussão que as denúncias sobre o sistema de espionagem dos Estados Unidos causou no mundo.

Era nada mais nada menos que a maior potência econômica mundial, espionando os demais governos mundo. Tal notícia caiu como uma bomba na mídia internacional, mostrando a que ponto os Estados Unidos haviam chegado.

Eu repudio totalmente esse sistema. Como se não bastasse estar envolvido em muitas das atrocidades do século XXI e XX, ainda quiseram se manter a par das decisões de outros governos.

Nesse sentido, admiro muito a coragem do Edward em denunciar tudo isso, mesmo sabendo o quanto iria custar-lhe. Por esse motivo, eu tiro o chapéu para Edward Snowden.



Pena de Morte


Não tiro meu chapéu para a pena de morte, pois ela me soa como uma das formas mais rudimentares e violentas de se combater um crime, como nos tempos em que o sentimento de vingança guiava as punições.

Quando eu penso que no passado, milhares de pessoas morreram sob punições de tortura, mutilação ou por diversas outras formas cruéis, eu só consigo me sentir indignado.

Esses tipos de punições nem deveriam ter existido, muito me impressiona que eram amplamente aceitos e praticados, até mesmo pela própria igreja.

Eu acredito que quando alguém comete algum crime, deve ser punido, mas não usando do sentimento de vingança para isso. Essa pessoa deve ser legalmente julgada, para depois, ser encarcerada. Porém, não basta simplesmente pegar uma pessoa e jogá-la na prisão, até que um dia, após cumprir sua pena, ela saia; isso é  tampar o sol com a peneira.

É preciso que essa pessoa passe por um processo que possibilite sua reinserção na sociedade.

Temos leis, temos códigos, temos lugares específicos – presídios -, mas não temos o principal, a estrutura adequada para promover a reinserção. Pelo contrário, temos presídios superlotados, caindo aos pedaços e com uma administração corrupta - em muitos deles.

Mas o que quero dizer com isso é que, mesmo com todo um processo legal para determinar a sentença de uma pessoa, as vezes, podem ocorrer erros, e depois que a pessoa é morta como forma de punição, se no futuro descobrem que ela era inocente, nada mais poderá ser feito.

Por esses motivos, eu discordo da pena de morte.



Gleen Greenwald


Para o Glenn Greenwald?, eu tiro o chapéu com toda certeza. Ele me soa um pouco como o Edward Snowden, no que tange a divulgação de dados vazados. Porém, diferente do mesmo, ele não é hacker, ele apenas cumpre seu papel de jornalista de divulgar as informações que chegam até ele.

Além disso, o Glenn expressa grande representatividade, ele tem uma família linda e só mostra que casais gays podem se casar  e adotar uma criança.



Barack Obama


O primeiro presidente negro dos Estados Unidos. É claro que eu tiro o chapéu para o Obama, por mais que eu não concorde com algumas posturas do seu governo, no que tange as operações militares exteriores e a guerra na Síria.

Eu tiro o chapéu pro Obama pelas políticas socias que foram implementadas no governo dele, em vez de promover o ódio, como faz com bastante gosto a laranja americana.

As reformas na saúde promovidas por ele, deixando o sistema de saúde americano mais acessível, a aprovação do casamento gay, a legalização de vários imigrantes ilegais e a promoção de paz com alguns países, são para mim, grandes ressalvas do governo Obama.

É interessante pensar, o quanto a postura adotada pelos Estados Unidos influência o mundo, em especial, o Brasil. Atualmente, vemos que essa influência foi para níveis exorbitantes. Isso me deixa triste, ver que o governo Bolsonaro submete o Brasil a uma espécie de colônia americana, sob a desculpa de patriotismo.

Concluindo, e inegável que a postura do governo Obama não promovia as bizarrices, os preconceitos e o ódio que vemos hoje.



SUS


Eu tiro o chapéu para o Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS é o maior sistema público de saúde do mundo. Além de ser muito amplo, é um sistema acessível e essencial para os brasileiros.

Infelizmente, a corrupção e a má administração acabam gerando uma visão deturpada do mesmo, porém, isso não o desqualifica.

Quando você olha para a realidade brasileira, em que as desigualdades sociais reinam e grande parte da população é pobre, falar que o SUS não deveria existir é algo totalmente deturpado.

Nem todos tem condição de ir a um hospital particular, muito menos de fazer tratamento neles ou de pagar um plano de saúde. Enquanto isso, o SUS oferece atendimentos, tratamentos, aplicação de vacinas, remédios, cirurgias e diversos outros procedimentos de forma gratuita.

Mas como eu disse antes, o SUS apresenta problemas. A falta de materiais e equipamentos, somados a grande procura - o que só reforça o quanto é essencial para o povo brasileiro -, acabam gerando um cenário caótico e de tensão.

Mas isso pode ser concertado, há muita corrupção no SUS é preciso combatê-la, tanto por parte do governo - no dinheiro que deveria ser investido e repassado -, quando na administração - aplicação dos recursos.

Porém, nada disso o torna o SUS inválido, não essencial ou pouco importante.



Selena Gomez


Agora eu me pego num dilema, se tiro ou não o chapéu para a Selena Gomez. Bem, vamos as minhas justificativas...

Eu gosto muito do trabalho dela, quando eu era criança, via sempre Os Feiticeiros de Waverly Place e achava muito engraçado o papel dela. Como cantora, também admiro muito suas música e o seu estilo, aliás, sou viciado em muitas músicas dela.

O seu último álbum, Rare, foi muito elogiado por mim, pois me tocou bastante, me fazendo sentir sintonizado com o ritmos das músicas e das batidas.

Porém, as polêmicas da vida pessoal da Selena se enlaçam a de dois cantores que gosto muito,  do Justin Bieber e da Katy Perry.

Antes de mais nada, eu gostaria de ressaltar que não concordo com as atitudes do Justin em relação a Selena, ela tem meu total apoio nesse sentido. Porém, o Justin não é um monstro, como muitos fans dela pregam, muitas vezes alimentados por declarações dela.

Eu compreendo que um relacionamento tóxico pode trazer graves consequências na vida de alguém, e no caso dela, as consequências foram muitas e admiro muito toda a força ela expressa para superar tudo isso. Ninguém merece passar pelo que o passou, não só em relação ao Justin.

Ressalvo mais uma vez, que não apoio as atitudes do Justin em relação a Selena, muito pelo contrário, sempre as reprovei, mesmo gostando muito dele.

Já em relação a Katy, eu fiquei muito triste quando soube dá história envolvendo a Selena e Orlando Bloon, que na época namorava com a Katy.

O mais culpado nessa história é o Orlando Bloom, porém sinto que tudo isso fez muito mau a Katy, por mais que parecem apenas boatos.

Contudo, a Selena me transmite muita verdade, ela parece ser alguém comprometida com causas justas e disposta a usar sua influência para tomar atitudes positivas para os outros. Por isso, hoje eu tiro o chapéu pra Selena Gomez.

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Post escrito por Paulo / Pedro
Edição: Douglas