Guia do Cinéfilo: Jurassic Park

Filme baseado na obra de Michael Crichton é uma das maiores aventuras da história do cinema.


Sinopse: Os paleontólogos Alan Grant, Ellie Sattler e o matemático Ian Malcolm fazem parte de um seleto grupo escolhido para visitar uma ilha habitada por dinossauros criados a partir de DNA pré-histórico. O idealizador do projeto e bilionário John Hammond garante a todos que a instalação é completamente segura. Mas após uma queda de energia, os visitantes descobrem, aos poucos, que vários predadores ferozes estão soltos e à caça.

Jurassic Park é a prova de que Steven Spielberg é um dos maiores diretores que influenciam a cultura pop. Nos anos 70, nos assustou com Tubarão, na década de 80 maravilhou toda uma geração com E.T: O Extraterrestre e a franquia Indiana Jones. E ele repete essas proezas nos anos 90 com a direção de Jurassic Park. O filme conta várias cenas icônicas da história do cinema e marcou o imaginário popular por sua ótima trama e efeitos especiais que surpreendem até os dias atuais.

O roteiro do filme foi escrito por Michael Crichton (autor do livro) e David Koepp. À primeira vista, nota-se o esforço da dupla não só para criar cenas de ação mais também para embutir na obra discussões sobre ética. A figura carismática do milionário John Hammond (Richard Attenborough) é usada como catalisador para unir as diversas narrativas que são apresentadas na história. Alan Grant (Sam Neill) e Ellie Sattler (Laura Dern) são dois paleontólogos que passaram a vida escavando ossos de dinossauro e entram na trama após Hammond prometer auxílio financeiro para suas escavações em troca de darem seu parecer sobre o Jurassic Park.

É nessa parte que vemos uma das cenas mais emocionantes do filme, quando após chegaram na Ilha Nublar, os dois avistam pela primeira vez um enorme braquiossauro. Além da ótima atuação de Sam Neill, o momento é levado pela excelente trilha sonora de John Williams que prova mais uma vez ser um dos mestres em criar temas musicais marcantes. Só que nem tudo são flores e após o encanamento inicial, os cientistas percebem que por mais bem intencionado que Hammond seja, não há modo seguro de controlar seres vivos tão agressivos.


A figura do Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum) serve para trazer os questionamentos éticos que tais atos trazem, afinal manipulação genética em seres extintos há milhares de anos é algo que pode mudar todo o paradigma da relação entre o homem e o meio ambiente. Essa discussão é um dos motes centrais da história, pois conforme a situação fica pior, todos se dão conta de que a vida sempre acha um jeito de surpreender até o mais forte dos controles. Numa cena entre Hammond e a Dra. Sattler há um debate de que conhecendo as falhas de agora, dá para melhorar no futuro. No entanto, fica claro que quando existem vidas em jogo, nem o melhor dos sistemas pode ser suficiente para evitar mortes.

Os personagens são bem desenvolvidos pelo enredo com casa um deles tendo o seu momento de brilho, não há um protagonista definido. O Dr. Alan Grant é um tipo calado que sente prazer em seu trabalho, mas quando se trata de relações, não é tão assertivo. Durante o filme, ele fica “responsável” por guiar os irmãos Lex (Ariana Richards) e Tim (Joseph Mazzello) por uma selva de perigos e nessa jornada aprende a apreciar a companhia de crianças além de ter que usar toda a sua inteligência como paleontólogo para sobreviver contra as criaturas que passou a vida estudando.

O segundo personagem mais interessante da narrativa é o próprio John Hammond. Seria fácil para o roteiro vilanizar o personagem tornando-o algum capitalista obcecado com o sucesso, mas isso não acontece aqui. Ele é apresentado como um senhor que deseja apenas compartilhar sua descoberta com o mundo, a performance de Attenborough como um velhinho simpático ajuda muito para tornar Hammond uma figura carismática. Só que por mais que as intenções sejam nobres, o ego dele impede que veja a situação com mais clareza, pois seu desejo de ser “reconhecido” bate de frente com o amor que tem pelos seus netos estando numa situação de vida e morte.

Na parte técnica, a direção de Steven Spielberg é muito hábil em construir cenas que brincam com os sentimentos do público. Ele é muito sugestivo na construção de tensão, a cena que indica a chegada do T-Rex é um exemplo disso com a câmera focando no copo de água vibrando e alternando o foco para a expressão de pânico dos atores. Tão louvável quanto a direção são os efeitos especiais da obra, o uso de animatrônicos para as cenas com os dinossauros deu um toque realista aos confrontos e deixou as cenas bem mais assustadoras. Óbvio que para movimentações mais complexas, CGI teve que ser utilizado, mas a mescla entre os dois modos foi bem feita e gera pouco estranhamento.

Jurassic Park é um dos melhores filmes já feitos e merece todos os elogios por ter introduzido com louvor os dinossauros na história do cinema.

Nota: 10,0