Reboot da franquia é o melhor filme de ação produzido em muitos anos por Hollywood.
Sinopse: Em um mundo apocalíptico, Max Rockatansky acredita que a melhor forma de sobreviver é não depender de ninguém. Porém, após ser capturado pelo tirano Immortan Joe e seus rebeldes, Max se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela imperatriz Furiosa que tenta salvar um grupo de garotas. Também tentando fugir, Max aceita ajudar Furiosa. Dessa vez, o tirano Joe está ainda mais implacável pois teve algo insubstituível roubado.
Mad Max: Estrada da Fúria é a prova de que com boas ideias, pode-se revitalizar franquias antigas sem apelar para nostalgia barata e sim apostando em novas maneiras de apresentar uma história para o público. A franquia Mad Max teve três filmes estrelados por Mel Gibson e com a direção de George Miller, nessa nova versão, Miller continua na direção e Tom Hardy interpreta a nova versão do guerreiro das estradas. O que faz esse reboot ser tão acima das expectativas, é a maneira com a qual o diretor elaborou a parte visual do filme.
Ao invés de se render às megalomanias de efeitos visuais tais como George Lucas fez na trilogia prequel de Star Wars, Miller optou por fazer as cenas de ação com o maior nível de efeitos práticos possíveis e o resultado disso fez muita diferença em tela. A ação desse filme é uma das melhores já produzidas, os elementos em tela são encaixados de forma harmoniosa e sem apelar para explosões a cada cinco minutos. Mesmo quando as explosões acontecem, são tão reais que prendem o espectador na tela tanto pela adrenalina quanto pelo senso estético que trabalha bem as cores a fim de deixar os momentos o mais interessantes visualmente possíveis.
Não apenas as cenas são bem dirigidas, mas a fotografia de John Seale é tão boa que consegue dar vida até à um lugar inóspito como um deserto. As cores são um elemento importante, pois é um mundo caótico, vibrante e cheio de perigos, logo todo a parte estética da cinematografia é voltada para reforçar esses sentimentos. Você tem um deserto com tons de laranja e amarelo bem acentuados, explosões com um fogo tão vivo que dá até vontade de tocar e uma noite iluminada por tons de azul tão vividos que em nenhum momento questiona-se a viabilidade disso num contexto lógico.
Também há de se elogiar o design de produção desse mundo pós-apocalíptico, além da óbvia devastação, todo o trabalho na criação dos carros, caminhões e motos são bem realizados com cada um tendo seu design e funções específicas. É louvável o esforço da equipe para dar diferentes características aos veículos de cada clã apresentados como por exemplo os “Pontudos" cujo o design dos veículos assemelha-se muito à um porco espinho ou ouriço.
Sobre os personagens, é justo dizer que tanto os protagonistas quanto os coadjuvantes são bem trabalhados mesmo que só saibamos o nome de alguns no fim do longa. O Max do Tom Hardy é um pouco mais introspectivo que a versão de Mel Gibson, aqui ele é um eremita solitário que sofre com alucinações em momentos de grande estresse e que sabe brigar como ninguém. Enquanto que Gibson tinha uma pose mais de badboy, Hardy faz uma performance centrada em tentar fazer Max parecer uma pessoa fria quando na verdade ele se importa muito e funciona, o único problema é que ele não é a estrela do filme.
O protagonismo da obra fica por conta da personagem Furiosa interpretada pela sul-africana Charlize Theron. Furiosa era uma das generais do vilão Immortan Joe e cansada se seguir às ordens cruéis dele, decide partir de volta para sua terra natal, mas não sem causar uma dor de cabeça ao déspota levando com consigo as “esposas” dele para que as mesmas se livrem da opressão. O teor feminista da obra é claro quando usa dessas personagens como uma metáfora para falar da objetificação da mulher e também quando ofusca seu personagem título para dar espaço à uma guerreira cujo o propósito é a libertação feminina.
A atuação de Theron é sem dúvida um dos pontos altos da película, a atriz tem um expressão poderosa e transmite bem as gamas de sentimentos confusos da personagem. Nas cenas de ação, ela faz um olhar raivoso que mete medo até no mais valente dos homens e tudo isso sem um braço, visto que a personagem é deficiente e usa uma prótese mecânica. Numa das melhores cenas, Theron habilmente expressa toda a frustração e desesperança de Furiosa quando as coisas não saem como o planejado e rouba completamente a cena.
Os demais coadjuvantes são bem trabalhados no enredo e com seus momentos respectivos de brilho. O destaque fica por conta do Nux de Nicolas Hoult que tem um dos melhores arcos do filme após a Furiosa. Quando o conhecemos, o personagem é um típico alienado que faz de tudo pela sua crença e para não decepcionar o seu líder. Porém ao longo da trama, ele acaba adquirindo mais humanidade quando percebe que a luta daquelas mulheres é justa e mesmo após tentar prejudicá-las, foi aceito no grupo quando não tinha mais para onde ir após cometer um erro.
Por fim, vale destacar a ótima trilha sonora de Junkie XL que eleva ao extremo os sentimentos do público tanto nas cenas mais agitadas quanto nas mais íntimas. Há toda uma sagacidade em usar o absurdo da trama para incorporar naturalmente à trilha nas cenas usando a comitiva que perseguia os heróis. Para isso, tinha uma espécie de guitarrista cego (?) e uma série de pessoas tocando tambores que à primeira vista causam estranhamento, mas é tão legal que a gente até esquece.
Mad Max: Estrada da Fúria merece todos os elogios possíveis e atualmente ainda permanece como invicto no quesito ação de alta qualidade.
Nota: 10,0

