Engineers for Women: quatro músicas dos Engenheiros do Hawaii sobre mulheres


Não tão conhecidas quanto sucessos como O Papa é Pop ou Infinita Highway, algumas músicas dos Engenheiros do Hawaii falam sobre mulheres, em diversos contextos. Escritas por Humberto Gessinger, as letras versam sobre temas como violência, empoderamento feminino ou até a necessidade de libertação de um relacionamento tóxico.

Nesse post especial, trago quatro letras dos Engenheiros do Hawaii falando sobre mulheres, com direito a um bônus.

Algo Por Você (Simples de Coração, 1995)

No primeiro álbum do grupo após a saída de Augusto Licks e dissolução da formação clássica, Humberto Gessinger aconselhou as mulheres a se libertarem as convenções na penúltima música, Algo Pra Você. Com vocal distorcido e até incômodo, a canção traz uma letra bastante reflexiva.

Humberto Gessinger, em conversa imperativa com alguma mulher, pede para que ela tome a atitude, e não fique esperando pelos homens, o que é comumente esperado nesse tipo de situação, especialmente em 1995. Também a estimula a seguir ou não padrões de beleza estipulados pela sociedade: "passe um batom (ou não) e vá se divertir.

hey garota, não fique esperando o telefone tocar

de volta ao passado, tecendo tapetes

esperando o guerreiro voltar


Nuvem (Minuano, 1997)

Muitas mulheres cresceram sendo ensinadas que devem ser as responsáveis por 'segurar' um relacionamento, por mais tóxico que ele seja, afinal, 'casamento é pra vida toda'. Conquistas como o divórcio representaram um grande avanço na sociedade, mas o eterno estigma negativo da 'mulher solteira' resistiu por décadas.

Em 1997, Humberto Gessinger desencorajou as mulheres de permanecerem em relacionamentos que não as agradassem mais. Um estímulo contra a acomodação com 'se está com ele é porque quer... porque não quer mudar'. No entanto, a música deve ser observada para um contexto em específico em que a mulher pode se libertar dessa situação, o que nem sempre é possível.

não vá perder a vida inteira com a pessoa errada

diga adeus, diga adeus


Nunca Mais (Surfando Karmas & DNA, 2002)

Uma das raras versões na trajetória de compositor de Humberto Gessinger, Nunca Mais é inspirada em Lullaby, de Shawn Mullins, mas traz uma letra completamente diferente. Embora o artista nunca tenha confirmado a que a canção se refere, é muito provável que seja um consolo a uma mulher que sofreu violência doméstica.

O eu-lírico tem um encontro com a personagem e pede para que ela revele o porquê de seu choro, dando algumas pistas sobre a situação envolvendo a mulher. No final, Gessinger se pergunta o que a mulher teria tentado lhe falar com 5 letras, começando com a letra A. Muitos fãs da banda entendem a palavra como "abuso" ou "adeus".

os muros da cidade falavam alto demais

coisas que ela não podia mudar, nem suportar

ela quis voltar para casa

cansou da violência que ninguém mais via

viu milhões de fotografias e achou todas iguais


Ela Sabe (Humberto Gessinger Trio, 1996)

A última canção dessa lista não faz parte oficialmente da discografia dos Engenheiros do Hawaii, embora seja adotada pelos fãs da banda como tal. Trata-se de Ela Sabe, do projeto paralelo Humberto Gessinger Trio, que consta nas plataformas de streaming como fazendo parte da discografia do vocalista dos Engenheiros.

É um verdadeiro ode à mulher empoderada, que sabe muito bem o que quer e o que precisa fazer. A mulher da música dos Engenheiros sabe muito bem o que é que a sociedade espera de uma mulher. Porém, ela não quer nem saber, "ela manda ver".

ela sabe muito bem o que é

que se espera de uma mulher

mas não quer nem saber

ela manda ver