
Pinóquio, o perverso (Pinocchio's Revenge — 1996) é um filme trash de produção independente que não fez lá muito sucesso em sua exibição original. Talvez por ser considerado um filme B, inferior aos demais, além de ser uma produção de baixo custo, que reflete em seu elenco sem grandes nomes da indústria. Porém, o longa possui um roteiro bastante interessante e bem trabalhado, por mais que à primeira vista possa parecer um filme qualquer ao estilo ''brinquedo assassino'', como o arrasa quarteirão ''Chucky (1988)'', aqui temos um enredo diferente e até ousado, nesse caso, o brinquedo não é exatamente o ''assassino'' em questão. Na verdade, em nenhum momento isso fica muito claro, deixando a dúvida no ar se, de fato, trata-se de uma trama sobrenatural, ou se tudo não passa de um delírio proveniente da imaginação de uma criança perturbada e traumatizada.

''A história gira em torno de uma advogada de defesa que, ao assumir um caso envolvendo um crime brutal contra uma criança, recebe de evidência um boneco de madeira: um Pinóquio — sua solitária filha o encontra e acha que o boneco é, na verdade, um brinquedo novo. Um presente de aniversário. E fica completamente apaixonada por ele; Porem, coisas estranhas passam a acontecer e por coincidência (ou não), o boneco sempre está envolvido nessas situações macabras''.
Embora não seja uma fórmula exatamente inovadora, pois algumas produções com ambiguidade narrativa envolvendo bonecos já haviam sido feitas anteriormente ''
Magic — 1978'', é sempre interessante observar quais serão as artimanhas que os roteiristas usarão para esconder o segredo desta diégese. Existem duas alternativas: caso o boneco se revele uma entidade viva, o filme poderá ser classificado como ''sobrenatural''; entretanto, se tudo não passar de um mero delírio de sua nova dona, teremos, então, um exemplar satisfatório de ''terror psicológico''.
O interessante é ficar na dúvida. Embora você tenha a opção de descer do muro e escolher uma dessas duas opções.
Internamente, o filme retrata uma mãe solteira empenhada em proporcionar o melhor para sua filha solitária, que sente intensamente a ausência do pai, o qual a abandonou para formar outra família. Simultaneamente, o enredo revela o cotidiano dela como advogada, defendendo a inocência de homens que evidentemente não são inocentes. Assim, ''Pinóquio'' surge em sua vida, sendo a principal prova de um crime onde um pai vitimou seu filho pequeno (cuja motivação é desconhecida) e o enterrou ao lado de seu boneco, pois, segundo ele, ''era o seu brinquedo preferido''.
O filme se destaca pela maneira como brinca com o espectador, sugerindo algo sobrenatural, que pode ou não existir, por meio da interação de Pinóquio com a filha dessa advogada. Ambos dialogam, conspiram e elaboram estratégias para ferir alguns indivíduos que de alguma forma possam prejudicar ou fazer mal a essa criança. Podendo ser ela a autora desses crimes. Podendo ser ele o autor desses crimes.
E, se questionado se realmente feriu aquelas pessoas, o boneco negará categoricamente, mas seu nariz se expande rapidamente, sugerindo que ele pode estar simplesmente mentindo. O nariz cresceu, pois, naquele momento, um carro passou na rua com os faróis ligados, projetando a imagem do boneco pela janela e esticando sua sombra (e seu nariz) na parede, de forma fragmentada.
Criatividade!
Aqui você pode conferir essa perola, na íntegra e com legenda, não perca!