À primeira vista, somos apresentadas aos protagonistas: o agente Fox Mulder (David Duchovny), um brilhante e fideísta em fenômenos paranormais, motivado principalmente por sua busca pessoal pela verdade sobre o desaparecimento de sua irmã Samantha; e a perspicaz e cética agente Dana Scully (Gillian Anderson), médica cientista designada como sua parceira para opor-se às suas teses mirabolantes e trazer uma perspectiva científica para a investigação da Divisão Especial Dos Arquivos X. O convívio, inicialmente marcado pela desconfiança mútua, transformou-se em admiração ao longo da história. A reciprocidade, nascida do fato de poderem confiar apenas um no outro, criou um vínculo profundo, no qual ambos aprenderam mutuamente. Os diálogos, permeados por cumplicidade e embates intensos, proporcionaram momentos inesquecíveis. A química entre os personagens tornou-se um dos pilares da série.
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Seja em casos autônomos — os populares monstros-da-semana — revival ou na construção de sua mitologia, a série entregou episódios intrigantes. A estreia, com clima conspiracionista e mortes herméticas, determinou a base do que seria seu arco central. Em “Squeeze”, os agentes deparam-se com um serial killer que se alimentava de fígados humanos. O icônico “Ice” é sobre parasitas primitivos no Alasca e foi inspirado no prestigiado longa-metragem The Thing de John Carpenter. No infame “Home”, a dupla investiga um infanticídio numa cidadezinha remota, enquanto se defrontam com a insidiosa família Peacock. O “Triangle”, Mulder se vê envolvido em um navio misterioso no triângulo das bermudas numa aparente realidade paralela. Em “Memento Mori”, Scully descobre seu tumor cancerígeno em uma das parcelas mais emocionantes da série. Com “Rm9sbG93ZXJz”, Mulder e Scully precisam lidar com a senciência de uma persecutória inteligência artificial. Já os satíricos “Jose Chung's From Outer Space”, “Bad Blood” e “How The Ghosts Stole Christmas”, demostraram a capacidade de Arquivo X se revigorar.
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Ao longo da franquia, Scully e Mulder contaram com aliados notáveis. Entre eles, destaca-se o informante de Mulder, o enigmático Deep Throat (Jerry Hardin), inspirado no real Caso Watergate. O trio excêntrico e carismático The Lone Gunmen também se tornou presença constante, assim como Marita Covarrubias (Laurie Holden), funcionária da Secretaria-Geral da ONU e, ao mesmo tempo, espiã infiltrada no Syndicate. Mais tarde, juntaram-se à equipe os agentes Monica Reyes (Annabeth Gish) e John Doggett (Robert Patrick). Entretanto, o personagem que se firmou como peça central foi Walter Skinner (Mitch Pileggi), chefe direto da dupla. Skinner atuava como o elo entre o mundo burocrático do FBI e o domínio obscuro das investigações paranormais. Sua postura ambígua — ora apoiando Mulder e Scully, ora cedendo às pressões da hierarquia — alimentava a suspeita de que ele próprio pudesse integrar o temido Syndicate, grupo secreto formado por dez membros influentes, entre os quais se destacava o enigmático CSM (Cigarette Smoking Man), interpretado por William B. Davis.
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Ecoando The Twilight Zone, The Silence Of The Lambs, Kolchak: The Night Stalker e Twin Peaks, a repercussão entre crítica e público foi amplamente positiva, com direito a elogios ao roteiro, direção, atuações do elenco principal e trilha sonora, especialmente a inolvidável música-tema criada por Mark Snow. Com conquistas de ilustres prêmios como Emmy Primetime e o Golden Globe, o seriado da emissora norte-americana Fox tornou-se rapidamente fenômeno comercial. Expressões como “A Verdade Está Lá Fora”, “Eu Quero acreditar” e “Não Confie Em Ninguém”, entraram para o léxico da cultura nerd. Sua narrativa e a disposição para explorar temas de sua época — especialmente os de caráter controverso — fizeram surgir uma base de fãs apaixonada, que a cada episódio tecia fervorosas teorias sobre os desdobramentos da abdução da irmã de Mulder e, consequentemente, buscava relacionar os casos individuais à grande conspiração central.
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A World Wide Web, desenvolvida por Tim Berners-Lee na década de 1980, enquanto trabalhava no CERN, surgiu inicialmente como uma solução para que cientistas pudessem compartilhar informações por meio de um software com recursos de hipermídia. Entre as primeiras produções a utilizar essa nova tecnologia para promover-se esteve a série Arquivo X. Nos créditos iniciais da nona temporada, os telespectadores tinham a oportunidade de vislumbrar a lista nomeada “Contatos, Testemunhas e Colaboradores do F.B.I” que aparecia na tela logo após o crédito do ator Mitch Pileggi. A listagem era composta pelos criptônimos dos fãs que frequentavam o quadro de mensagens do site oficial. Esta estratégia da produção incentivava o público a sintonizar todas as semanas, ávidos por uma chance de verem seus pseudônimos na TV. A interação online através da relativamente nova internet contribuiu para o sucesso e construção de uma dedicada comunidade que se autointitulava “X-Philes”.
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A influência da série se estendeu para além do âmbito ficcional. Gillian Anderson mencionou em várias entrevistas que se surpreendia com a quantidade de cartas de meninas dizendo que Scully estava sendo sua motivação na escolha da profissão. A atriz, inclusive, foi homenageada durante o evento anual AT&T SHAPE — organizado pela Shaping Entertainment and Technology — por seu papel inspirador junto às jovens.
De acordo com uma disquisição do Instituto Geena Davis, cerca de 63% das mulheres que trabalham nas áreas STEM (science, technology, engineering and mathematics) disseram que Dana Scully havia servido como modelo. Entre as mulheres que estavam familiarizadas com a personagem de Scully, impressionantes 91% afirmaram que ela era um exemplo admirável para as meninas.
O “efeito Scully” reforça a influência substancial que a mídia do entretenimento pode exercer sobre às vidas cotidianas, confluindo com a observação de Jessica Milli — diretora de estudos do Institute For Women's Policy Research — quando ressaltou a importância de personagens inspiradores na incentivação de indivíduos para o campo científico, essencialmente em relação às mulheres.
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Chris Carter afirmou que a personalidade de seus protagonistas nasceu de uma necessidade intrínseca: a de acreditar em algo e, ao mesmo tempo, desconfiar desse algo. Embora essa dualidade seja comum na ficção atual, a maneira como Carter a desenvolveu foi notável. A busca incessante de Mulder pela verdade reflete o anseio humano por algo transcendente, enquanto o ceticismo de Scully traduz nossa constante tentativa de encontrar explicações racionais para os mistérios da existência. Arquivo X personificou dois extremos nas figuras de Scully e Mulder para nos dizer que o equilíbrio é sempre o indicável na busca pelo conhecimento.
Episódios Essenciais
O primeiro filme ocorre entre as temporadas 5 e 6, e é primordial para entender a origem da ameaça alienígena que permeia toda a franquia. O segundo filme se passa após a 9ª temporada, abordando o desfecho da série original, com algumas conexões menores com a 10ª temporada do revival. Para quem deseja maratonar a série focando apenas na trama principal, aqui está um guia com os episódios que possuem ligação com a mitologia da história.
1ª Temporada
Pilot
Deep Throat
Squeeze
Conduit
Fallen Angel
Eve
E.B.E.
Tooms
The Erlenmeyer Flask
2ª Temporada
Little Green Men
The Host
Sleepless
Duane Berry
Ascension
One Breath
Red Museum
Colony
End Game
Anasazi
3ª Temporada
The Blessing Way
Paper Clip
Nisei
731
Piper Maru
Apocrypha
Talitha Cumi
4ª Temporada
Herrenvolk
Musings of a Cigarette Smoking Man
Tunguska
Terma
Leonard Betts
Momento Mori
Tempus Fugit
Max
Demons
Zero Sum
Gethsemane
5ª Temporada
Redux
Redux II
Unusual Suspects
Christmas Carol
Emily
Patient X
The Red and the Black
Travelers
The End
6ª Temporada
The Beginning
S.R. 819
Two Fathers
One Son
Three of a Kind
Biogenesis
7ª Temporada
The Sixth Extinction
Amor Fati
Sein und Zeit
Closure
En Ami
Requiem
8ª Temporada
Within
Without
Per Manum
This is Not Happening
Dead Alive
Three Words
Vienen
Essence
Existence
9ª Temporada
Nothing Important Happened Today
Nothing Important Happened Today II
Trust No 1
Provenance
Providence
Jump The Shark
William
Release
The Truth
The Truth II
10ª Temporada
My Struggle I
Founder's Mutation
My Struggle II
11ª Temporada
My Struggle III
Ghouli
My Struggle IV
30 Episódios Favoritos Em Ordem De Lançamento
1x01 - Pilot
1x02 - Deep Throat
1x08 - Ice
1x09 - Fallen Angel
2x14 - Die Hand Die Verletzt
2x15 - Fresh Bones
2x20 - Humbug
3x02 - Paper Clip
3x08 - Oubilette
3x20 - From Outer Space
4x02 - Home
4x10 - Paper Hearts
4x14 - Memento Mori
5x05 - The Post-Modern Prometheus
5x12 - Bad Blood
6x03 - Triangle
6x06 - How the Ghosts Stole Christmas
6x14 - Monday
6x15 - Arcadia
6x21 - Field Trip
7x10 - Sein Und Zeit
7x11 - Closure
7x13 - First Person Shooter
8x7 - Via Negativa
8x10 - Badlaa
9x08 - Hellbound
9x14 - Scary Monsters
10x4 - Home Again
11x03 - Plus One
11x08 - Familiar
30 Curiosidades
01. Uma das inspirações de Chris Carter para o enredo decorreu de relatórios da vida real sobre supostas abduções alienígenas.
02. Na vida real, Scully é a que acredita e Mulder o cético.
03. Dana Scully foi inspirada em Clarice Starling de Silence Of The Lambs.
04. Gillian Anderson filmou muitas cenas em pé em uma caixa devido a sua baixa estatura.
05. A série foi uma das primeiras a obter uma classificação TV-MA devido ao episódio “Home” da quarta temporada.
06. O sequestro de Scully na segunda temporada foi uma cobertura para a licença de maternidade da atriz.
07. Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, trabalhou como um dos roteiristas de Arquivo X.
08. A música tema foi inspirada numa canção chamada “How Soon Is Now?” da banda britânica The Smits.
09. Stephen King co-escreveu o episódio “Chinga” da quinta temporada.
10. O primeiro filme da franquia Final Destination foi baseado em um roteiro de especificação chamado “Flight 180” de Arquivo X.
11. David Duchovny e Gillian Anderson dirigiram alguns episódios, enquanto Duchovny também escreveu roteiros e histórias para oito episódios.
12. O sobrenome Scully foi inspirado no jornalista esportivo Vin Scully.
13. O número 555 0199 para comunicar-se com o celular de Mulder, foi o mesmo usado por Lester Burnham de American Beauty e Lowell Bergman de The Insider.
14. O episódio “Leonard Betts” bateu o recorde de audiência da série com quase 30 milhões de telespectadores.
15. David Duchovny, Gillian Anderson e William B. Davis são os únicos atores a aparecer no primeiro e no último episódio da série.
16. A ideia inicial de Chris Carter era finalizar na quinta temporada e seguir com a trama em filmes.
17. O “Canceroso” deveria estar em um episódio, mas Chris Carter gostou tanto do personagem e adorou o quão bem William B. Davis desempenhou o papel que decidiu fazer dele uma figura central.
18. Shannon McMahon deveria se tornar uma personagem recorrente na nona temporada, mas uma gravidez de alto risco forçou a atriz Lucy Lawless deixar a produção depois de apenas duas aparições.
19. O icônico pôster “I Want To Believe” causou um impacto cultural na sociedade americana que, em 2008, foi introduzido como uma relíquia no Museu Nacional de História Americana.
20. A tatuagem do episódio “Never Again” foi dublada pela atriz Jodie Foster.
21. Chris Carter viajou pelo mundo escrevendo para a Surfer Magazine antes de criar Arquivo X.
22. Apesar da química incrível em cena, Gillian Anderson e David Duchovny alegaram que só tornaram-se bons amigos após o término da série.
23. Mulder recebeu o sobrenome da mãe de Chris Carter.
24. Mitch Pileggi conheceu sua esposa, Arlene Warren, no set de filmagem.
25. Chris Carter é padrinho da filha de Gillian Anderson.
26. O nome “X-Philes” relacionado ao fandom, é uma referência ao sufixo grego “-phil” que significa “amor por”, ficando como “Amor Por X”.
27. Contrato de Gillian Anderson a impediu de participar de testes para interpretar Clarice Starling na sequência Hannibal de Silence Of The Lambs.
28. O nome da personagem Leyla Harrison foi uma homenagem a uma fã da série que faleceu de câncer em 2001.
29. Gillian Anderson mentiu sobre sua idade em sua primeira audição, afirmando ter 27 quando na verdade tinha 24 anos.
30. Após a estreia, uma critica da Entertainment Weekly respondeu ao slogan “A Verdade Está Lá Fora” com “Sabemos Essa Série É Um Caso Perdido”. A pergunta que faço é: cadê essas chacotas agora?!
Referências
1. Os Arquivos X aos 30: Como a série criou um novo modelo para a narrativa na TV
2. A Verdade Está Lá Fora: A Filosofia de Arquivo X
3. Enredos de Arquivo X baseados em histórias da vida real
4. O episódio 'Home' de Arquivo X foi tão sombrio que um executivo da Fox ligou para os roteiristas
5. Fatos que você não sabia sobre Arquivo X
6. Dana Scully: Feminilidade, Alteridade e o Arquivo X Definitivo
7. Episódios Essenciais Da Franquia





